No final dos anos 1950, possuir um diploma de Jornalismo não era requisito prévio para o exercício da profissão. Bacharéis em Direito por formação, tanto Anis quanto Adival tornaram-se jornalistas por dedicação, como praticamente todos os profissionais das redações. “Quem é dessa área já nasce inclinado para essas bobagens”, brinca Anis. Mesmo assim, um dos professores da então Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da UFMG, Arthur Versiani Velloso, se viu entusiasmado com a idéia de fundar o primeiro curso de jornalismo do Estado. E o fez, com a ajuda do Sindicato dos Jornalistas de Belo Horizonte, representado nas ilustres figuras de José Mendonça, Anis José Leão e Adival Coelho de Araújo.

Sentados lado a lado e de frente para a nova geração de entrevistadoras, Leão e Coelho começam a puxar o fio que desenrola o complexo novelo do tempo: a “pobreza franciscana” do início do curso, no Edifício Acaiaca, em 1962; a formulação do currículo com bases nas incipientes experiências nacionais e latino-americanas (como Argentina e Cuba); a dedicação desses pioneiros que trabalharam cerca de quatro anos sem salários.
Intervalo: pausa para o café do Leão e para o cigarro do Coelho. E os alunos-entrevistadores não param. As histórias que ali ouviram e registraram está fundamentada por poucos documentos. A memória é, neste caso, a fonte primária e fundamental para a reconstrução do passado, e extrair o máximo possível de tão privilegiadas cabeças é o objetivo central.
No retorno, muita informação sobre mercado de trabalho (ontem e hoje), orientações sábias e bem atuais para quem quer ser um bom jornalista e, no encerramento, um discurso empolgado pela obrigatoriedade do diploma de jornalista. E, antes do apagar das luzes e dos equipamentos, ainda houve mais algum tempo para a jovem equipe tirar proveito da companhia do Leão e do Coelho.
Texto: Pabline Cota Felix e Foto: Mariana Garcia
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