Passa Praça Sete, passa Contorno, passa Alumínio, passa Prata, passa Ouro e “ó, tesouro!” Alguém a campainha toca. A porta se abre. As mãos se tocam. Sorrisos se abrem... E eu, ali, me toco que no "um, dois, três, gravando!" tudo teria que sair 10. Aperto o fade in, pressiono o zoom out. “Mic 1 e mic 2, sem micos, okay?” Ai se os botões em inglês ofuscassem o português do professor. Ajusto a íris, bato o branco, aperto o vermelho. O tic! tac! tic! tac! do relógio logo fica inaudível.A memória de Mendonça, não. Fala, fala, fala, como se vivesse, pela primeira vez, o advento da Comunicação. De repente, um tec! toc! anuncia que é hora de trocar a fita. O professor, então, ímpar que é, alia-se ao seu par e transforma o break em coffe break. Mistério. Café das cinco? De um lado, Maria Tereza distribui os pratos. Do outro, o marido, sem nove horas, cheio de fé, reparte o bolo que ele mesmo fizera... E todos, ali, sentados à mesa, já sem palavras nem números, experimentam com bom gosto a criação. Aqueles 91 de experiência mais pareciam 61 de idade.
Texto: Leandro Eleto e Foto: Vanessa Veiga
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